
em 10.11.09
Etiquetas:
Artes Plásticas,
Exposições
II - Importância para a actual fase da economia mundial
A economia burguesa deixou de se interessar pelo estudo e ensino da Economia Política. À medida que os seus conceitos e conclusões podem ser utilizados pelas classes exploradas ou dominadas, a Economia Política torna-se cada vez mais embaraçosa, e considerada mesmo perigosa, para as classes dominantes. Surge a tendência para a sua liquidação como ciência das relações económicas entre os homens, no tempo e no espaço, e a sua substituição por uma apologética justificativa da permanência do sistema capitalista. O estudo corrente da Economia limita-se ao estudo das relações entre pessoas e coisas, eliminando as relações de natureza social: relações de trabalho, de produção, de propriedade, entre as populações e as classes e grupos sociais. Só continuam a merecer interesse a gestão e organização de empresas ou doutras instituições, a especulação financeira, a política dos Estados ao serviço do capitalismo e, bem assim, os problemas de mercado, sobretudo os preços, a moeda e o crédito. Ultimamente assume particular relevância a globalização financeira como objectivo primordial. Tal orientação conduz à liquidação total do conhecimento da Economia Política e à renúncia do estudo das relações económicas e sociais entre os homens.O conhecimento dos “Antecedentes do Capitalismo” traz consigo o reconhecimento evidente do carácter histórico, evolutivo, dos sistemas económicos, proporcionando ao mesmo tempo numerosos esclarecimentos que são válidos para além da época estudada.Nenhum dos diferentes modos de produção, que surgiram desde que o homem começou a produzir, desapareceu completamente. Continuam a coexistir diversos sistemas económicos na actualidade, desde o tipo comunitário, tributário, mercantil aos do tipo capitalista e socialista, que foram surgindo uns após outros, embora em tempos diferentes nas diversas regiões do globo terrestre. Sucessivamente, os novos modos de produção assumiram uma posição dominante, nas regiões onde se expandiram, enquanto os anteriores iam declinando mas sem desaparecerem. Ainda hoje, o sistema capitalista, embora dominante, não é universal. É de prever que esta tendência se mantenha com o declínio do capitalismo, onde começam a surgir contradições internas e crises, frequentes e cada vez mais graves, a frear a sua evolução e desenvolvimento. Simultaneamente, vai ganhando terreno um novo sistema defensor da satisfação das necessidades sociais humanas de acordo com o progresso actual da humanidade nos campos da cultura, do desenvolvimento científico e tecnológico, em benefício de toda a humanidade e não apenas de uma pequena parte da população. No seio da sociedade capitalista subsistem numerosas unidades de produção, familiares, tribais, aldeãs e, até, nómadas, cujo objectivo económico fundamental é a satisfação das necessidades dos próprios produtores e familiares. Estas comunidades têm constituído uma barreira ao total domínio capitalista que tem conduzido, sempre e em todo o lado, uma campanha de aniquilamento persistente e violento destas formas históricas de modos de produção e distribuição. Conforme se revela no livro “Antecedentes do Capitalismo”, os antagonismos de interesses entre as classes e grupos sociais deram azo a numerosos conflitos, por vezes, longos e violentos, mais frequentes à medida que se acumula a riqueza e a desigual distribuição de rendimentos. As lutas de classes passaram a estar presentes em toda a história da humanidade, após a desagregação do sistema comunitário. Atingiram todas as esferas da vida social e desempenharam um papel relevante como força motora do desenvolvimento económico da sociedade. Os factos demonstram que estas lutas não desapareceram, e até se intensificaram, com o evoluir do sistema capitalista.
Nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 1925. Licenciado em Finanças pelo ISCEF – Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, da Universidade Técnica de Lisboa, exerceu sempre a sua actividade profissional em instituições financeiras. Frequentou numerosos cursos e seminários, em países europeus, nas áreas de operações bancárias, organização e gestão de empresas. No exercício da sua profissão assumiu a responsabilidade pela montagem e instalação dos serviços de um banco português em Angola, Moçambique e França e ainda pela renovação e modernização da sua sede social, no Porto. Por incumbência do Banco de Portugal coordenou em 1975 a actividade de todos os bancos nacionalizados portugueses no Norte e Centro do País. Foi membro das administrações ou conselhos fiscais de diversas empresas dos ramos metalúrgico, turístico e editorial e da direcção de cooperativas e associações culturais. Como residente na cidade de Almada, desempenhou as funções de deputado na Assembleia Municipal durante oito anos, participando da Comissão de Administração e Finanças e assumindo a sua presidência nos últimos quatro anos. Colaborou na extinta revista “Economia EC, questões económicas e sociais”, na revista “Vértice” e em algumas publicações periódicas. Ultimamente tem-se dedicado à investigação e escrita de temas relacionados com a Ciência Económica e, ainda, à revisão científica da tradução para português de livros da sua especialidade, designadamente: “Breve Dicionário de Economia”, da autoria de José Maria Lozano Irueste, professor emérito da Universidade Complutense, de Madrid, e “As Estruturas Sociais da Economia”, da autoria de Pierre Bourdieu. Em Novembro de 2002 foi editado pela Editora Campo das Letras, do Porto, o seu livro ECONOMIA DO SISTEMA COMUNITÁRIO, com o subtítulo “Enquanto a mercadoria e a moeda não existem”, resultante de uma prolongada e meticulosa investigação durante vários anos. O texto integral deste livro encontra-se também publicado na Biblioteca Virtual de Economia do Grupo de Investigação EUMED.NET, sediado na Universidade de Málaga, na secção de “Libros Gratuitos de Economia”, e na Biblioteca Virtual Miguel Cervantes, secção Bibliotecas del Mundo, da Universidad de Alicante. Em Setembro de 2004 apresentou no VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro, realizado na Universidade de Coimbra, uma comunicação com o título “Economia do Sistema Comunitário – Objecto de investigação e divulgação”, cujo texto completo foi publicado pela revista Vértice, de Coimbra, e pelo “Grupo EUMED.NET”, na secção de “Contribuciones a la Economia”. Em colaboração com as iniciativas deste Grupo, tem participado em alguns dos seus Encontros Virtuais Internacionais de Economia. 

